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sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Os encantos da cidade que não dorme

Quando pesquisava sobre a viagem para Nova Iorque ano passado, cada pessoa colocava alguma atração como obrigatória. Não teria como eu conhecer tudo em dez dias, mas amei cada escolha que fizemos. E tenho uma lista enorme de lugares para visitar das próximas vezes que voltar a cidade. Sim, eu quero, preciso, desejo visitar outras vezes Nova Iorque :)

- City Pass
Principais atrações de NY por US$ 106 dólares :)
Nós não usamos e agora não lembro direito porque, mas se informe sobre o City Pass, acho que pode ser uma boa opção. Mas a Rapha, do blog Rapha no Mundo já usou e contou sobre lá no blog dela. Aliás, o blog dela foi um dos que mais me ajudaram a sonhar com Nova Iorque. Vale a pena a visita :)

Uma noite no museu
- Museu de História Natural: é sugerido um valor para você pagar, ou seja, você pode entrar sem pagar nada, eu paguei o valor integral, porque acho sinceramente que vale a pena. De qualquer forma, é uma das atrações que o New York City Pass dá entrada. Eu queria muito conhecer esse museu, quem já assistiu Friends, sabe da fama do museu por causa do personagem Ross Geller. O Museu de História Natural é enorme, tem quatro andares, uma coleção de fósseis incrível. Fica perto do Central Park e é parte do cenário Uma Noite no Museu. 

- Metropolitan Museum of Art (também MET ou Metropolitan). Mesma coisa do Museu de História Natural em relação ao preço, você pode pagar quanto quiser. É lindo demais! Meu museu predileto. A parte egípcia é bem bacana, tem esculturas lindas. Tem quadros de Mondrian, Miró e Picasso. O jardim no no terraço é aberto ao público e vez em quando tem exposições lá também!

MoMA: Tem Monet, Matisse, Picasso e Mondrian. Antes de ir, pensava que se por acaso tivesse que escolher entre ele, o de História Natural e o MET, cortaria o MoMA sem dó nem piedade, mas me apaixonei por esse museu e pelo Jardim das Esculturas (do lado de fora e que rende lindas fotos). "Estou exatamente onde deveria estar", é a frase que eu penso quando lembro desse jardim. Por alguns minutos sentei afastada e fiquei observando tudo ao meu redor e pensando o quão abençoada eu era de conhecer um lugar novo. É um dos meus jardins secretos pelo mundo, para entender o que é um jardim secreto, clique aqui.

'Big lights will inspire you'
- Top of theRock: observatório que fica no Rockefeller Center. Vá no final da tarde (antes de escurecer) e vá tirando foto da cidade até a noite, enquanto as luzes se acendem. Ver Nova Iorque de cima é uma coisa linda e única. Sem contar que escolhendo ir nesse observatório, você consegue uma foto linda com o Empire State de fundo, o famoso prédio com mais de 100 andares e um dos símbolos da cidade.

- Estátua da Liberdade: O passeio em si é chatinho, mas eu aconselho ir nem que seja uma única vez. Por quê? Você terá lindas fotos da Brooklyn Bridge, novas torres do World Trade Center, da linda Manhattan e da própria estátua. E também acho interessante ir por causa do símbolo que a estátua é.

- Intrepid: Meu lado moleque ficou louco nesse museu aero espacial! Compre o ticket que dá direito a entrada no Growler (submarino). Se for claustrofóbico, vá só ao museu, não aconselho ir no submarino, eu descobri da pior forma que odeio lugares fechados. 

Times Square iluminada
-Times SquareMuita gente, muita luz, muita informação, é demais! Vá a noite! Vá de dia! Eu amo a Times Square. Dá pra perceber pelo número de exclamações usados, rs...

- HighLine: Era onde o trem passava e virou uma passagem/parque de concreto. Começa no MeatPacking District e cruza uma parte da cidade. Acho que é a cara de Nova Iorque e mostra como eles adaptam qualquer espaço. Uuma mistura de gente passando, alguns sentados em banquinhos comendo, alguns músicos, algumas barraquinhas de comidas e bugigangas, algumas flores... Tudo isso numa passarela que te dá uma vista linda da cidade e passa dentro de prédios. 

- WashingtonSquare: Para sentar no final da tarde tomando um sorvete da Amorino.

- Central Park: Ande um pouco, sinta-se dentro de um filme e deite na grama após uma visita ao Metropolitan, por exemplo. Aproveite para tirar um cochilo, para tirar muitas fotos, tirar foto com a estátua da Alice (amo!), para observar as crianças correndo. É de se apaixonar pelo verde no meio de uma verdadeira selva de pedras. 

- Battery Park: Aqui encontramos esquilos! E ficamos muito tempo brincando e fotografando os bichinhos. Um parque lindo! E lá também fica uma escultura chamada "The Sphere", que por 30 anos ficou no World Trade Center e após o ataque foi transferida para esse parque. Do outro lado do parque tem uma estátua chamado "The Universal Soldier", que é um monumento que homenageia os soldados que participaram da Guerra da Coréia, que durou de 1950 até 1953.

- New York Aquarium: fica em Coney Island, no Brooklyn. É um pouco longe de Manhattan. Mas se você gostar de aquários, sugiro que dê um pulo lá para ver arraias, tartarugas, tubarões, pinguins e antes ou depois do passeio comer no Nathan's ou Totonno's.

- 9.11 Memorial: Quando fomos era aberto ao público, não sei se agora é pago ou não. É um lugar extremamente pesado e, ao mesmo tempo, bonito. Não dá pra explicar muito sem ir lá e sentir o clima.

- Grand Central Terminal: "Brilho eterno de uma mente sem lembranças", "Os Vingadores", "Madagascar", "Homens de Preto", "Eu sou a lenda"... Nunca viu nenhum desses filmes? Todos eles tem a estação como cenário. Em 2013 completou 100 anos, é linda e merece muito ser visitada! Não esquece que nela tem uma Magnolia Bakery e em frente tem o Pershing Square com as panquecas de blueberry deliciosas :) Ah, e lá também tem uma Apple Store. Preciso nem falar mais nada sobre!

- Harlem: num domingo procure uma Igreja por lá, mas fique atento pois algumas igrejas só deixam turistas participarem dos serviços (cultos) das 11h ou outro horário. As Igrejas Batistas estavam cheias quando fomos e optamos por uma Metodista que tinha um coral bem tradicional. 
PS: Uma opção para quem quer conhecer uma Igreja é a Brooklyn Tabernacle, não fomos, mas li muito sobre ela, conheço algumas músicas e tenho vontade de voltar um dia e conhecer, dá pra ouvir o coral deles no YouTube. 

E já que é pra falar de Estados Unidos, o próximo post será sobre compras. Porque até eu, pessoa super controlada e não consumista, me rendo um pouquinho aos outlets e lojas de lá :)


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Os sabores da minha Nova Iorque :)

Como disse no post anterior, comida é coisa séria na nossa família. E, por favor, nada de viajar e comer só em redes que já existem no Brasil. Confesso que fico com um pouco de raiva quando vejo alguém que viaja para um lugar e não come nada típico. Entendo que cada um conhece seu corpo e as restrições dele, mas vamos combinar que MCDonald's e Starbucks não são a solução pra isso, a não ser, é claro, que você more numa cidade que não existem esses restaurantes, aí é a desculpa de falar: "não tem na minha cidade, mas eu fui em Nova Iorque", rs! Ou se você é mega ultra fã das redes, se joga! Eu sou... então confesso que já fui neles, mas não me limito a eles. Certo? Então, prepara pra morrer de vontade, salivar bastante e já marca quais sabores você quer desvendar na sua viagem para Nova Iorque :)

Hot Dog: 
Primeiro hot dog de rua em NY :)
- De rua: Li inúmeras vezes: "você não esteve em NY se não comeu um cachorro quente na rua" e, olha, é verdade. Quando você pede um, você se sente dentro de um filme. Eu acho delicioso, é bem diferente do nosso aqui no Brasil, vale a pena a experiência.
-  Gray's Papaya: foi o melhor para mim! Se você assiste How I met Your Mother, talvez lembre da cena do réveillon  que eles estão numa limusine, sem ter pra onde ir e o que comer e se lembram do hot dog da lanchonete, é uma delícia e super barato. Vá e peça uma Piña Colada (eles vendem uma versão sem álcool, bem docinha) para acompanhar :) Tire fotos e me faça inveja. 
- Nathan's Famous: quando chegar em Nova Iorque, vai perceber que todo estabelecimento sempre é intitulado como o "melhor hot dog/burguer/pizza/pasta". Foi assim com o Nathan's, fui esperando o melhor de todos, mas acabei apenas comendo um gostoso cheese dog, porque o meu preferidinho ainda é o do Gray's Papaya. Não estou te dizendo pra pular o restaurante, porque vale pela história, afinal são quase 100 anos de existência e em Coney Island, localizada no Brooklyn e é casa do primeiro Nathan's, é realizado o Hot Dog Eating Contest, a competição para ver quem come mais lanches! DICA: vá ao restaurante no dia que for conhecer o  New York Aquarim.

Donuts:
O café da manhã está na esquina
- Tome café da manhã na rua e peça um (os carrinhos estão em vários lugares) donut. O café deles é meio ruim (aguado, eu prefiro o mais forte, sempre), escolha um suco de maçã (acho mais gostosos do que os daqui, nem sei se tem diferença ou eu criei isso) para acompanhar. Café da manhã barato, gostoso e prático.
- Dunkin Donuts (tem em muuuuitos lugares) e é bem gostoso. Aqui em São Paulo tinha quando eu era pequena eu amava os donuts de lá e ter essa oportunidade foi quase como voltar à infância. Pede um bavarian por mim!




Starbucks:
- Um em casa esquina. Sua desculpa para ir lá é usar o wi-fi free e a principal: banheiros bons. Ok, não só por isso, os muffins de banana, blueberry e chocolate são deliciosos. E eu amo o café de lá, mas se na sua cidade já existe uma franquia de Starbucks, tente conhecer novos lugares na cidade. De todo o jeito, é sempre uma boa pedida, vai...

Hambúrguer:
- Burger Joint: DELÍCIA. Com 10 dólares você come um hambúrguer fantástico e refrigerante (não me pergunte o porquê, mas prefiro a coca aqui do Brasil, então lá eu sempre preferia sprite ou pepsi). Só aceita dinheiro e você talvez tenha que aguentar uns minutos em pé numa fila básica. Vale a pena? Vale! Por quê? Pense em uma lanchonete espelunca atrás de uma cortina dentro de um hotel chique. É o meu preferido da vida até o momento. Se já comeu algum melhor, me fala, por favor! DICA: ir lá depois de uma visita ao MoMA (Museu de Arte Moderna), fica pertinho e você ganha tempo no seu dia.
O melhor fast food da vida
- Five Guys: é uma rede fast food, então tem em vários lugares. Lá o refrigerante é refil e você escolhe os acompanhamentos para qual base escolher (burguer, cheese burguer ou bacon cheese burguer). Eu gosto de ficar do lado esperando para ver a montagem do hambúrguer, é tão bem feito (pense que é um restaurante fast food) e eu sempre escolho os ingredientes básicos: alface, tomate, cebola e maionese!
Simples e gostoso
- White Castle: conhecido por ter sido o primeiro "Fast Food". Com 7 dólares você come 4 hambúrgueres pequenos + batata + refrigerante (não é refil). 




 Restaurantes:
- Eataly: Vá com tempo, por favor! É um mercadão italiano com entrada pela Quinta Avenida. Com 13 dólares, você come um penne DIVINO. Eu nunca fui pra Itália, então acredito em quem já foi pra lá e diz: "é o melhor lugar onde você vai comer comida italiana fora da Itália". Peça a salada caprese de entrada e morra de amor, sério. E a pizza é uma coisa que eu não consigo nem descrever. Quando eu disse para você ir com tempo, falei sério mesmo. Motivo? Uma diversidade incrível de molhos, massas e temperos. Eu não fui boba e trouxe para o Brasil pra garantir a macarronada de domingo, faça o mesmo :)
- Gallagher's Steak House: peça o Sirloin Steak (The New York Strip).Vai ser uma refeição um pouco mais cara, mas garanto que vale a pena cada centavo. Se quiser comer uma boa carne, vai lá. Não é obrigatório, mas se tiver tempo, dinheiro e vontade, vai com tudo!
- Famous Famiglia: não é "parada obrigatória" mesmo! E essa pizza criou intriga na família, era um dizendo que era boa, outro dizendo que era a pior coisa da vida... Mas se passarem por uma e estiverem com vontade de comer uma pizza bem gordurosa (pelo menos pela experiência) vale a pena. Peça as clássicas de mussarela ou pepperoni. Não diga que eu não avisei, hein? É super gordurosa, mas se quiser se sentir num filme (isso vai acontecer em vários lugares em Nova Iorque) pede um pedaço de queijo, molho de tomate e óleo e se acabe!
- Totonno's: pizzaria que fica no Brooklyn, só vale a pena a visita se você tiver algo planejado em Coney Island, que é onde fica o local. A verdade é que se você vai ao Eataly e come uma pizza marguerita de lá, todas as outras ficam meio "bleh"... DICA: outro possível lugar para comer caso você visite o New York Aquarium.
- Katz's Delicatessen: famoso sanduíche de mostarda com pastrami que dá orgasmos (quem viu o filme When Harry met Sally sabe a fama do sanduíche). Ah, o sanduíche é grande e gostoso. Grande meeesmo, viu? Quando entrar na deli, escolha as mesas longe da parede, as centrais (que são as que não tem garçom e mais baratas, você só vai ter que ir no balcão fazer o pedido).
- Soup Man: sopas, sopas, sopas! Fomos numa época de calor e eu admito que fiz uma cara feia ao pensar na hipótese de tomar sopa naquele calourão, mas valeu a pena, foi muito bom e se você assistia Seinfeld é obrigatório ir lá! No soup for you! :P

Doces:
- Magnolia Bakery: #SexAndTheCityFeelings! Pede um cupcake de Red Velvet, é o mais gostoso! Outra pedida é o pudim de banana, bem gostoso e docinho. Tem em vários lugares. Fomos na do Rockefeller Center (quando for visitar o Top of The Rock ou loja da Lego ou Nintendo ou qualquer coisa na região) e também tem uma no Grand Central Terminal (para aproveitar o dia que estiver por lá).
- Pershing Square Cafe: peça as panquecas de blueberry (salivei só de lembrar, jogue o mapple syrup em cima e SEJA FELIZ )e os egg's bennedicts. Esse lugar é tão especial, eu meio que "enchi o saco" dos cunhados e marido, porque necessitava de boas panquecas, aí com a ajuda do Foursquare, o cunhado descobriu as panquecas e olha... que saudade! Eu comi os dois pratos e fiquei TÃO CHEIA que não almocei. O waffle também é muito saboroso. Suco de maçã e smothies são ótima pedidas para acompanhar, nem arrisquei pedir o café fraquinho. DICA: antes ou depois de tomar café por lá, passe no Grand Central Terminal, você vai se sentir num filme. É demais pra tirar fotos e ficar olhando. Ah, lá dentro tem uma Apple Store e uma Magnolia Bakery.
- Jacques Torres: não sei se é o melhor chocolate quente do mundo (como dizem), mas garanto que foi o melhor do meu mundo. Peça um cookie pra acompanhar. Saudades, chocolate quente cremoso delícia.
- Ladurée: filial da francesa loja conhecida pelos macarons deliciosos! Eu nunca tinha experimentado um macaron na vida, fui logo comer um da Laduree. Nunca mais comi um macaron sem comparar com o de lá. #chatinha #fresca #desculpasociedade
- Bouchon Bakery: tem macarons gostosos (o de baunilha conseguiu ser melhor que o da Laduree, mas só o de baunilha, palavra de comilona!). Quando fui também comi um sanduíche de atum bem saboroso e comprei uma coca-cola de garrafa de alumínio, trouxe como souvenir para o Brasil e hoje ocupa um lugarzinho especial na minha mesinha de casa :) DICA: tem uma pertinho do Rockefeller Center

Sorvetes:
- Amorino (filial da sorveteria francesa): Sorvete de chocolate! Sim, porque eu sou o tipo de pessoa que sempre pede o mesmo sabor. Amei o de chocolate deles :) DICA: fica perto da Washington Square. Vale a pena visitar a praça, ficar sentado conversando, fotografando e vendo a tarde acabar.
- Grom (filial da sorveteria italiana): não deixe de experimentar o de limão siciliano, coco e pistache. Foi a única sorveteria da minha vida que não pedi para um sorvete de chocolate e não me arrependo nem um pouco. Melhor sorvete do meu mundo, quero agora! Dá uma olhada no site e veja onde tem a sorveteria. DICA: tem um carrinho da Grom perto do Central Park! :P


Ainda faltam os museus que visitamos e os lugares onde fizemos compras, mas as comidinhas são sempre as melhores coisas de uma viagem pra mim. O que mais li em blogs sobre a cidade que não pára é que cada um faz a sua do seu jeito. Nova Iorque surgiu na minha vida numa fase que eu precisava de algo novo e mudou muito meu jeito de ver e sentir o mundo ao meu redor. Fui feliz lá, fui mais feliz depois que voltei de lá, sou e estou feliz agora quando lembro de lá e me inspiro nela pra sonhar com meu próximo destino :)

sábado, 27 de abril de 2013

Dos anjos mais velhos

Sou cercada de guerreiras. Me sinto abençoada de ter exemplos de mulheres incríveis na minha vida. Hoje é aniversário da minha avó. Dona Therezinha, a carioca descendente de portugueses e ingleses. Dona de sotaque escrachado, risos incontroláveis, pernas grossas (alô, genética!) e personalidade forte. Ficou viúva cedo, criou sete filhos (sendo que uma faleceu num acidente de carro), viajou para o Japão, para Alemanha, pra Portugal, para os Estados Unidos e para inúmeras cidades do Brasil, é avó e bisavó, já quebrou a perna, operou o joelho e venceu o câncer.
Desde o ano passado, ela está morando aqui em São Paulo e eu me sinto privilegiada. Vivendo em São Paulo desde os dois anos de idade, eu a visitava apenas nas férias e agora tenho a oportunidade de vê-la toda semana, de rir das histórias dela e de sentir toda a força que ela inspira e transpira.
Ela é uma das muitas mulheres fantásticas que tenho na minha vida. Me sinto grata, me sinto abençoada, me sinto aprendiz de guerreiras.

Amo cada uma.

"Só enquanto eu respirar".

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sampa e suas cores em mim

Stress. Foi isso que o médico disse na consulta. Dor de cabeça insuportável, imaginei que fosse o óculos, mas não era. E aí todos os sinais eram de stress puro: emagrecimento rápido, noites insones, cabeça doendo todo dia... Foi aí que eu tive a ideia de me levar para passear toda semana. Dei o nome para esses passeios: "sábados sabáticos". São Paulo é incrível, cheia de lugares para descobrir, relembrar, se apaixonar, se encantar... e meus sábados seriam reservados para todos os lugares que me fazem amar essa cidade.

Para o primeiro sábado sabático escolhi um lugar que visitei muito durante a faculdade, principalmente na época do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso): Centro Cultural São Paulo. Eu não queria participar de nenhuma das programações do dia, só queria sentar no Jardim Suspenso e ler meu livro "Alice no País das Maravilhas". Olhar a cidade de cima, sentada num banquinho simples me trouxe paz em meio ao caos e coloriu um pouco a minha selva de pedra. Fico muito triste que o Jardim não seja mais bonito e cuidado, mas mesmo assim vale a visita!
Vista do Jardim Suspenso (CCSP)
A Biblioteca e Gibiteca são incríveis e sempre tem alguma exposição pelo Centro Cultural. No meio do caminho, você pode encontrar uma almofada, deitar e se sentir parte da obra de arte, com sons de pássaros e cachoeira como trilha sonora ao fundo. Fui trabalhar até mais feliz depois de um passeio tão simples, que só meu custou a passagem do metrô e que me fez ver que a ideia dos sábados de descanso foi algo ótimo :)

Hoje foi o segundo dia que me levei pra passear, só que dessa vez minha irmã foi junto comigo. Não começamos muito cedo, afinal dormir também é bom e prazeroso. Nossa programação foi simples, mas divertida, principalmente pela companhia uma da outra. Viajar dentro da própria cidade é bom, poder compartilhar isso com quem você ama é ainda melhor. Nos encontramos no metrô Santa Cecília, descemos na Sé e saímos sentido Rua Direita. Antes de ir para o destino escolhido: passamos para turistar na catedral da Sé e observar um pouco a cidade. A primeira parada foi o Páteo do Colégio, onde nossa cidade começou em 1554. Foi nesse lugar que o Padre Anchieta iniciou a catequização dos índios. Já tinha passado várias vezes por lá e nunca havia entrado pra comer no Café do Páteo, que foi o local escolhido para nosso café da manhã gostoso. Chocolate para ela e café mocca para mim, pão na chapa para as duas. Não tem como errar com combinações tão simples. 

Andar pelo centro histórico é um das melhores coisas para se apaixonar por São Paulo. Olhe para os lados, para cima, para as construções dessa parte da cidade, vale a pena. O segundo destino foi o Centro Cultural Banco do Brasil, minha irmã nunca tinha ido e eu tinha ido apenas uma vez. Não há nenhuma exposição no momento, mas não é desculpa para deixar de conhecer o lindo e bem iluminado prédio, que foi construído em 1901 e abrigou a primeira sede própria do Banco na capital de São Paulo desde 1927. O Centro Cultural foi inaugurado em 2001 e tem uma rica programação de teatro, cinema e arte.

Duas irmãs perambulando juntas não dá muito certo, claro que depois de todas essas coisas bonitas, a Ana me arrastou pra gastar. Passamos na Daiso Japan, uma loja "de 1,99" conhecida no Japão e que abriu há pouco tempo no Brasil. Todos os produtos estão a venda por R$ 5,99 e tem coisa que vale a pena, mas nem tudo. Resistimos a tentação (e decidimos que a fome era maior a vontade de carregar sacolas era menor) e deixamos as compras na loja para outro dia. E já que é pra gastar, a gente leva a mãe junto pras compras renderem bastante ;)

Finalizamos nossa manhã/tarde juntas num restaurante árabe-armênio por quilo: Sevan. A fome estava muito maior do que qualquer outra coisa, então sem tempo para fotos, mas a comida estava gostosa e o preço é honesto. Falando em preço, gastamos: 60 reais (já incluindo as passagens do metrô). Ou seja, com uma média de 30 reais por pessoa, você consegue andar um pouco pela cidade, conhecer lugares bonitos que na correria diária você sequer pensa em reparar. E nem pense em achar caro, você deve gastar quase isso só numa ida ao MC Donald's!

E a partir de hoje também vou escrever nesse blog com minha irmã: http://www.gravidade.tumblr.com Mais um lugar pra usar as palavras como terapia. Resumos dos sábados sabáticos estarão sempre por lá, assim como outras coisas que conhecemos pelo nosso pequeno mundo e que podemos dividir com todos :)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Da arte de esquecer

Sou feita de esquecimentos, deve ser por isso que eu preciso dizer eu te amo todo dia. Sou feita de falta de memória, minha infância e adolescência são fragmentadas dentro de mim. Não lembro muito, sempre me sinto perdida nas conversas entre irmãos e primos.
Lembro de pequenos gestos, de algumas cores, de poucas pessoas e lugares.

Lembro de um moletom rosa que eu tinha e que eu estava vestida com ele quando saí com meu meu pai uma vez, eu devia ter uns cinco anos, nós estávamos passando em frente ao Corpo de Bombeiros da Praça da Sé, eu não lembro para onde íamos e de onde saímos, mas eu lembro do sorriso dele pra mim depois de eu ter falado alguma coisa boba. Deve ser por isso que eu gosto de sorrisos.

Eu sou feita de fragmentos de dias ruins. E por mais que eles tentem, nunca me dominam. Minha mãe estava com câncer, operou e quando chegou da cirurgia, estava dizendo meu nome. O enfermeiro contou que na hora que ela acordou da anestesia, ela acordou e me chamou. Já no quarto, cansada, chorou um pouco e dormiu enquanto eu cantava pra ela. Desde então, eu sempre canto quando estou triste. E a tristeza passa.

Eu sou feita das histórias que me contam. Meus três irmãos me contam as peripécias que aprontávamos e eu lembro de pouca coisa, junto o que cada um, com sua diferente visão me conta e crio minha própria lembrança. Talvez seja por isso que eu gosto de ouvir todos os lados de uma mesma história, só assim eu consigo  criar a minha.

Eu sou feita de dedos longos, braços compridos e tortos (sim, meu braço é torto, bem esquisito), sou feita de abraços. Lembro do dia que conheci meu marido, mas não lembro do dia que ele me deu o primeiro abraço, só sei que são nos braços dele que eu quase sempre fico bem, apesar de tudo. Deve ser por isso que eu acho um abraço muito mais íntimo que um beijo.

Eu sou feita de esquecer. Diariamente vivo coisas pela primeira vez. Deve ser por isso que eu preciso ouvir eu te amo todo dia.


***

Tenho amor, não tenho memória.
(Fabrício Carpinejar)

quinta-feira, 26 de março de 2009

Efeito Borboleta

Aí você pára e pensa: será mesmo que gostaria de mudar alguma coisa? Tirar uma linha dessa história doida, doída, sentida, sem sentido? Será que se, realmente, você pudesse mudar alguns fatos, desfazer algumas coisas, você faria? Será que um simples ato que tivesse sido cometido de outra maneira, mudaria a ordem e a dor dos fatos de hoje?
Será que você trocaria tudo o que é por aquilo que gostaria de ser? Não, não é?

Quando a gente é pequeno, a gente teima em idealizar (mesmo que nem conheça essa palavra direito) a família perfeita. Você pega todos os defeitos da mãe, do pai, dos irmãos, dos tios e primos e simplesmente sonha que se você pudesse re-criar um novo cenário e enredo para a sua vida, você jogaria todos esses defeitos fora e viveria, por exemplo, numa casa onde todos torcem para o mesmo time, onde você pode tomar coca e comer chocolate o tempo que quiser, onde você possa não brigar com aquela sua prima que teima em usar o vestido igual ao seu na virada do ano novo e depois inventa que você falou mal dela e por aí vai. Você sonha com um lugar perfeito. Sem altos ou baixos, apenas uma trilha reta, sem voltas, curvas ou obstáculos.
Mas, no fundo, você sabe que isso é impossível. Então, você torce para que quando você crescer, você encontre algo perfeito. Que você aprenda a viver perfeitamente e que não repita os erros cometidos no passado.

Aí você cresce. Você vive tudo novo, de novo. E nada é aquilo que você sonha, nada é aquilo que você espera. É tudo muito mais. Muito mais intenso, muito mais sincero, muito mais real, muito mais bonito até, muito mais feio e podre também, muito mais tanta coisa que você já nem consegue entender.
Você estuda, dá o melhor de si para ser uma boa pessoa, começa a conhecer novas pessoas, viaja para lugares bonitos, vive intensamente cada dia.

Depois de muito tempo (ou nem tanto assim) você lembra de todos os sonhos que você tinha, de toda a família que você sempre idealizou e daquela que você realmente teve. Lembra que todos os momentos que passou com sua mãe são fantásticos e que quando você tiver uma filha quer dar o nome cheio de graça para ela e deseja que ela seja aquela que traga felicidade, assim como você foi a princesa que um dia nasceu e brilhou na vida de um casal apaixonado. Lembra que, juntamente com seu irmão chato, você construiu castelos de caixinhas de perfumes e cabanas e palácios de cobertas, edredons e afins. Lembra que com a irmã de cabelos cacheados lindos, você brincou de contar estrelas, você arrumou mil apetrechos para enfeitar as madeixas e por aí vai. Lembra que, depois de um tempão, Deus deu a oportunidade de vocês escolherem aquele que seria um mega-ultra-super irmãozinho do coração. Depois de todas essas memórias e outras tantas... Você vê que, com certeza, a família real e cheia de defeitos é bem melhor do que a ideal.

Quando você cresce o bastante para poder querer construir uma nova família (aquela que será ‘sua’, que você construirá junto com alguém que escolheu para amar). Junto com aquele menino bonito que você escolheu e deixou-se ser escolhida para amar, vem uma bagagem muito importante. Vem um sorriso bonito no cantinho da boca e mais diversas coisas bobas e sérias: palavras sussurradas ao pé do ouvido, conversas por horas na madrugada, declarações e confissões de tudo (ou quase tudo) que ele já foi e fez nessa vida, lembranças de um passado sentido. Ele conta para você todas as coisas verdadeiramente marcantes da vida dele.

Ele sempre foi o preferidinho da avó que preparava para ele miojo, hambúrguer, bolinho de chuva e arroz à grega. Ele lembra das saídas fantásticas que fazia com o pai pelas ruas da cidade de São Paulo e na voz dele, você percebe uma certa nostalgia, um clima de saudade daquilo que um dia ele foi e uma vontade enorme de constituir uma família bendida. Ele te conta que não parece quase nada com a mãe, pelo menos não fisicamente, mas que ele a admira com toda a força que tem e não entende o porquê de tanta coisa que aconteceu, mas o coração dele é bom e ele ama a mãe incondicionalmente e que ele quer ter um pouco da garra que ela tem um dia, aliás ele se acha bem parecido com ela nesse aspecto. Ele fala da irmã linda, com personalidade forte tanto quanto a dele, mas, ao mesmo tempo bem diferente dele, mas, ainda assim, muito especial e amada e mãe de duas crianças fantásticas. Um menino sapeca demais que, sim, precisa de uns puxõezinhos de orelha, vez em quando e quase sempre, mas dono de uma inteligência fantástica; uma menininha danada, moleca, levada da breca, com um nome forte, com lábios carnudos, com cabelos lisos e cachichos nas pontas, com sorriso gostoso e cheirinho delicioso.
Ele lembra, com uma emoção enorme, daquele dia na torre... A vez em que abraçou com tanta força e aliviou o choro daquela que é não é irmã de sangue dele, mas que ele considera muito chegada e quase como uma irmã por opção mesmo.
Ele conta as histórias com um quê de realismo fantástico do avô que já quase matou patrão com a peixeira e por aí vai...

Lembra e compartilha com você esses momentos vividos num quintal mágico e cheio de fantasias mas, ao mesmo tempo, muito sério e sincero, sentido e real... Um quintal que hoje já não mais abriga os sonhos e tantas coisas bonitas do passado, mas que ele ainda acredita que será um palco para as outras mil gerações. Você já se sente parte dele, literalmente. Ele conta para você os detalhes da trajetória confusa e complexa que seguiu até hoje e que, inevitavelmente, você começa a admirar e tentar entender, mesmo que seja muito, mas muito difícil. Mas aí você lembra que entender é muito pequeno e que não vale a pena perder o encanto de certas coisas, mesmo que isso pareça fantasioso demais.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Da minha origem...

O Rio de Janeiro, dizem, continua lindo, contudo, para mim, ele nem está tão mais lindo assim. Mas é nessa terra quente que as pessoas mais lindas do (meu) mundo se encontram. Cada um com seu jeito e papel de importância na minha vida, doce vida.
Os lindos desse meu mundo não estão na mesma casa ou no mesmo bairro, mas estão eternamente guardados dentro do meu coração...

A viagem começou cedo, bem cedo. Minha cara amassada, meu travesseiro com fronha com detalhes que parecem um jornal, meu cabelo bagunçado e amarrado e meu bom-mau humor matutino habitual denunciavam. Ainda estava escuro, o sol não havia nascido, mas eu até diria, se isso não soasse tão pateticamente alegre, que meu olhar brilhante e esperançoso seria capaz de iluminar um caminho todo.
Parada ali, parada aqui, pão de queijo e toddy, meu estômago nunca foi lá muito fresco, mas não é bom abusar. Volto para o carro e deito, me cubro com meu lençol gigantesco e durmo. Sonho com aquilo que já aconteceu, que não aconteceu e que ainda aconteceria e me deixaria com a impressão de que 'já havia vivido isso antes'.

Algumas horas depois, acordo com buzinas de ônibus, céu cinza e chuva. "Mas, oras, já voltamos para Sampa, terra da garoa?" - penso. Olho com atenção, observo as cores dos ônibus, as pessoas com regatas e havaianas e realizo que não, não estamos em São Paulo e sim só numa parte diferente do Rio de Janeiro, longe de Ipanema e de suas loiras com curvas belas, num dia atípico de chuva, mas, ainda assim, muito calor.
Vejo onde nasci, ligo para meu menino-amor que está em casa me esperando com saudade já, conto que tenho a nítida sensação de já ter passado ali antes e sou interrompida pela frase: "Sarinha, minha filha, você nasceu por aqui". Talvez eu conhecesse aquele lugar mesmo. Dos meus sonhos, do útero, das lembranças que nem eu sabia que tinha ainda. Minutinhos depois chegamos em uma das muitas casas que nos serviriam de ponto de encontro, cenário para histórias e lembranças mil.

Hora do almoço, hora de comer arroz, purê, carne assada e salada... Ah, a salada. Chicória, tomate e cebola nunca foram tão gostosos juntos, talvez o segredo seja o tempero da Vó Thereza: água com sal e limão, depois alho amassado, depois azeite e, quem sabe, mais um pouquinho de limão... por que não?
Depois do banquete regado a suco de maracujá, coca-cola e rivalidade entre Flamengo e Vasco, é hora de partir, re-conhecer outras histórias e pessoas, queridas pessoas.

Avenida grande e fácil de se perder, o ponto de referência é a praça. "Ah, aquela que passamos há dez minutos atrás???". Que coisa! Onde será que estaria o retorno mesmo? Depois de uma volta pela praça, pela avenida e pelo trânsito do Rio e de alguns motoristas nem sempre muito bons, nos deparamos com mãos acenando para nosso carro: chegamos!
Reconheço a casinha meio amarela na esquina e lembro das férias que passei lá, dos primos, dos tios, da piscina de plástico, das flores, do quintal, do cheiro e de tantas outras coisas. Aquela casa continuava lá, mas era em outra que eu passaria a tarde. Quase do lado da casa amarela, estava a casa "71-fundos" e foi lá que aconteceu um dos encontros mais emocionantes dessa minha trajetória carioca.

Tia, primas, tios e a minha linda índia... Vó Mara. Há tanto tempo que não a via, abraçava, sentia, cheirava e dizia bem no ouvido dela que eu a amava e que não importava o quão longe eu estivesse, o sentimento seria eterno.
Os cabelos da Dona Amara continuam pretos, bem pretos, fortes e lisos. Os 78 anos vida, seis derrames, oito filhos, incontáveis netos e bisnetos e tantos percalços dessa vida a deixaram um pouco mais magra, um tantinho mais cansada, menos sorridente, mas muito atenta a tudo e todos. É emocionante ver como ela lembra de nós, mesmo que não consiga expressar isso com muitas palavras, o olhar dela diz tudo e as lágrimas que rolam por aquela face bonita e sentida simbolizam tudo o que é ser família.

As mãos fortes dela me impressionam, as mesmas mãos que me davam pirão quando eu era pequena, os dedos longos me fazem lembrar de como ela era quando eu e ela éramos mais novas e não havia a distância física entre nós.
Me despeço com lágrimas nos olhos e voz embargada, quase não tirei foto, tal momento não conseguiria ser melhor registrado do que pelo meu próprio coração.

As ruas de Bento Ribeiro abrigam crianças na calçada, pipas no céu e muitos sonhos. Um pedido: Deus abençoe a minha família. Seguimos pelas ruas e quebra-molas do Rio e vamos nos perder em outros braços e lembrar dos laços criados. De sangue, de afeto, de amor, de coração. Isaac, Daniel, Rebeca, Talita, Ana, Lucas e eu. Tantas gerações unidas numa tarde simples de calor.
Depois de lanches, risadas, abraços, fotos, comprinhas básicas, chegou a hora de ir embora...
"Entregamos" todas as crianças nos devidos lares e compartilhamos mais histórias, mais coisinhas pequenas e singelas que fazem toda a diferença...

PS: Dia especial, feliz e muitíssimo belo!
PSII: Sr. André Martin, muito obrigada pelos comentários e, pode deixar, estou de volta! ;)