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sábado, 2 de fevereiro de 2013

De tudo que poderia...

amar
apagar
acabar
recomeçar

inspirar
transpirar
sonhar
acordar

caminhar
abandonar
relembrar

ser

traduzir
saber

apaixonar

lembrar
amar


[você?]

***



"Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão."

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Confissões - parte 4


Alguém disse que paixão dura até dois anos e que muitos casais se separam depois desses tais anos juntos, a maioria separa porque vê que não era amor, que era apenas fogo, paixão e que não conseguem mais dividir cama, mesa e banho.
Casamento é coisa séria. Eu não fui pedida em casamento, eu aliás nem queria começar a namorar, sempre quis estudar, alçar novos vôos e quando pensasse em namorar, seria algo sério. Careta, eu sei. Careta para os dias de hoje, mas não ligo, essa foi minha educação e não me arrependo de ter esperado tanto e respeito quem pensa diferente.

O Tiago apareceu na minha vida numa época muito tensa, eu era uma moleca, ia trabalhar de all-star, calça larga, camisa de futebol e cabelo amarrado. Nós nos tornamos bons amigos, ele estava envolvido num relacionamento sério com outra pessoa e eu envolvida com meus próprios planos: a faculdade, o estágio na TV e um horário doido para trabalhar (madrugada cercada por homens, graaaandes profissionais que me ensinaram quase tudo o que sei). Tempo depois, ele e a namorada da época (hoje uma amiga minha) terminaram e nossa amizade se intensificou. Simplesmente porque tinha que ser e a gente quis investir em algo mais sério. Minto. Ele quis investir, eu relutei. Me fiz de difícil, de quem não queria nada com ninguém... mas me rendi. Ele conheceu minha família, eu conheci a dele, a amizade e parceria só aumentou. Um ano depois ficamos noivos e depois resolvemos casar.

No final de 2010, comemoraremos dois anos de casamento, as tais bodas de algodão. Não serei hipócrita: não foi tão fácil quanto as novelas, os contos de fadas e toda essa banalização de relacionamentos nos mostram. As qualidades e os defeitos afloram mais quando se vive junto com alguém, fui percebendo e descobrindo coisas que, antes, nem imaginava. Percebi que o café que ele faz é mais gostoso que o meu, que ele sempre deixará a toalha em cima da cama ou do sofá, que eu ainda tem medo da panela de pressão, que não gosto de dormir sozinha, mas não consegue dormir abraçadinha igual naqueles comerciais (afinal é preciso espaço!). Realizei o quanto sou chata quando estou na TPM, admiro o lado gentleman dele quando me pega no colo (depois capotar de cansaço no sofá) e me coloca na cama, dou risada e acho raiva - e quase sempre graça - do jeito Shrek de ser dele quando está jogando videogame e eu passo na frente da TV. Não consigo entender como gosto mais de futebol do que ele (afinal ele prefere as novelas e briga comigo quando torço contra o casal protagonista), ele se irrita comigo quando esqueço de pagar aquela conta que ele pediu, eu morro de raiva quando ele esquece de fazer qualquer coisa que pedi também e por aí vai... Coisas simples e sérias, se não forem bem resolvidas podem se tornar uma bola de neve!

Durante todo esse tempo tivemos que gritar, calar, aprender, ensinar, amar, fazer bico, ceder espaço, dar mimos. Eu me tornei mais mulher, pinto as unhas e os cabelos de vermelho, aprendi a cozinhar e às vezes trabalho 12 horas por dia. É, eu cresci. E ele também. Vez em quando passa dez dias na estrada e apenas um em casa, mas criamos um lema nosso e o levamos a sério: "não importa quanto tempo ficamos longe um do outro, temos que fazer valer a pena o tempo juntos". Ficou assim combinado e tentamos aproveitar cada segundo juntos.

A gente sempre deixou as coisas acontecerem naturalmente, sem forçar a barra, respeitando o tempo e o jeito um do outro. Logo, fará quatro anos que começamos o nosso e-terno namoro e as coisas só melhoram e se intensificam. E... bom, não só as coisas boas se intensificam. O jeito irritante (dele), a teimosia (minha), as caras feias e, vez em quando, fechadas (nossas) também. Tudo isso vai aumentando e a gente vai se amando, se entendendo, se rendendo, se completando.

E eu, aqui, termino mais essa confissão.

PS: Bem "querido diário" mesmo, saudade de escrever algo pessoal.

***

Pra relembrar:
Confissões, parte 1.
Confissões, parte 2.
Confissões, parte 3.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Carta...



"... você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse preso num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço..."

(Caio F. de Abreu -"Para uma avenca Partindo")

Porque quem conhece nossa história sabe que não imaginávamos ser assim... Tão perfeitos um para o outro, mesmo sabendo que perfeição não existe. Ele era diferente de TUDO e TODOS. E coisas diferentes assustam. São estranhamente perfeitas em sua sintonia do amor. Por isso é que digo: somos e estamos. Até quando... agora... sempre.

E mais:
Há vinte três anos, ele nascia com seus cabelos loiros, olhos verdes, bochechas rosadas.
Há três anos e três meses ele começou a trabalhar no mesmo lugar que eu. Nossos planos, sonhos e pessoas eram bem diferentes.
Há três anos, eu entrei naquele switcher frio e entreguei um presente para ele.
Há cinco meses e um dia... nos tornamos oficialmente, perante a lei de Deus e a lei dos homens, marido e mulher.
Há cinco segundos meu coração bate forte por ele... de saudade e com muita vontade de dar um super beijo nele e de mostrar o quanto eu o amo... mas, bom, ele sabe o quanto o amo. E eu gosto de lembrá-lo disso sempre.

Parabéns, menino!
Amo-te. Te quero sempre do meu lado, te admiro por tudo o que você é e tudo que já conquistou... sei que DEUS é por ti e por mim e Ele sempre nos abençoará. Lembre-se da canção:

"Eu guardo Tua promessa em minha vida
Como será quando ela chegar?
Estou a cada dia confiante!
Corro num estádio pra alcançar o prêmio em minhas mãos!
Como José que aguentou ser humilhado pelos seus irmãos.
Assim como Josué que deteve até a lua no Vale de Aijalom.
O que me faz vencer é saber que os TEUS planos eu posso viver!"

(Pr. Rafael Araújo)

Você é minha aliança. TODAS as promessas do nosso Paizão vamos viver.

Beijos em você... te cuido.

Sua,

Sara

quinta-feira, 26 de março de 2009

Efeito Borboleta

Aí você pára e pensa: será mesmo que gostaria de mudar alguma coisa? Tirar uma linha dessa história doida, doída, sentida, sem sentido? Será que se, realmente, você pudesse mudar alguns fatos, desfazer algumas coisas, você faria? Será que um simples ato que tivesse sido cometido de outra maneira, mudaria a ordem e a dor dos fatos de hoje?
Será que você trocaria tudo o que é por aquilo que gostaria de ser? Não, não é?

Quando a gente é pequeno, a gente teima em idealizar (mesmo que nem conheça essa palavra direito) a família perfeita. Você pega todos os defeitos da mãe, do pai, dos irmãos, dos tios e primos e simplesmente sonha que se você pudesse re-criar um novo cenário e enredo para a sua vida, você jogaria todos esses defeitos fora e viveria, por exemplo, numa casa onde todos torcem para o mesmo time, onde você pode tomar coca e comer chocolate o tempo que quiser, onde você possa não brigar com aquela sua prima que teima em usar o vestido igual ao seu na virada do ano novo e depois inventa que você falou mal dela e por aí vai. Você sonha com um lugar perfeito. Sem altos ou baixos, apenas uma trilha reta, sem voltas, curvas ou obstáculos.
Mas, no fundo, você sabe que isso é impossível. Então, você torce para que quando você crescer, você encontre algo perfeito. Que você aprenda a viver perfeitamente e que não repita os erros cometidos no passado.

Aí você cresce. Você vive tudo novo, de novo. E nada é aquilo que você sonha, nada é aquilo que você espera. É tudo muito mais. Muito mais intenso, muito mais sincero, muito mais real, muito mais bonito até, muito mais feio e podre também, muito mais tanta coisa que você já nem consegue entender.
Você estuda, dá o melhor de si para ser uma boa pessoa, começa a conhecer novas pessoas, viaja para lugares bonitos, vive intensamente cada dia.

Depois de muito tempo (ou nem tanto assim) você lembra de todos os sonhos que você tinha, de toda a família que você sempre idealizou e daquela que você realmente teve. Lembra que todos os momentos que passou com sua mãe são fantásticos e que quando você tiver uma filha quer dar o nome cheio de graça para ela e deseja que ela seja aquela que traga felicidade, assim como você foi a princesa que um dia nasceu e brilhou na vida de um casal apaixonado. Lembra que, juntamente com seu irmão chato, você construiu castelos de caixinhas de perfumes e cabanas e palácios de cobertas, edredons e afins. Lembra que com a irmã de cabelos cacheados lindos, você brincou de contar estrelas, você arrumou mil apetrechos para enfeitar as madeixas e por aí vai. Lembra que, depois de um tempão, Deus deu a oportunidade de vocês escolherem aquele que seria um mega-ultra-super irmãozinho do coração. Depois de todas essas memórias e outras tantas... Você vê que, com certeza, a família real e cheia de defeitos é bem melhor do que a ideal.

Quando você cresce o bastante para poder querer construir uma nova família (aquela que será ‘sua’, que você construirá junto com alguém que escolheu para amar). Junto com aquele menino bonito que você escolheu e deixou-se ser escolhida para amar, vem uma bagagem muito importante. Vem um sorriso bonito no cantinho da boca e mais diversas coisas bobas e sérias: palavras sussurradas ao pé do ouvido, conversas por horas na madrugada, declarações e confissões de tudo (ou quase tudo) que ele já foi e fez nessa vida, lembranças de um passado sentido. Ele conta para você todas as coisas verdadeiramente marcantes da vida dele.

Ele sempre foi o preferidinho da avó que preparava para ele miojo, hambúrguer, bolinho de chuva e arroz à grega. Ele lembra das saídas fantásticas que fazia com o pai pelas ruas da cidade de São Paulo e na voz dele, você percebe uma certa nostalgia, um clima de saudade daquilo que um dia ele foi e uma vontade enorme de constituir uma família bendida. Ele te conta que não parece quase nada com a mãe, pelo menos não fisicamente, mas que ele a admira com toda a força que tem e não entende o porquê de tanta coisa que aconteceu, mas o coração dele é bom e ele ama a mãe incondicionalmente e que ele quer ter um pouco da garra que ela tem um dia, aliás ele se acha bem parecido com ela nesse aspecto. Ele fala da irmã linda, com personalidade forte tanto quanto a dele, mas, ao mesmo tempo bem diferente dele, mas, ainda assim, muito especial e amada e mãe de duas crianças fantásticas. Um menino sapeca demais que, sim, precisa de uns puxõezinhos de orelha, vez em quando e quase sempre, mas dono de uma inteligência fantástica; uma menininha danada, moleca, levada da breca, com um nome forte, com lábios carnudos, com cabelos lisos e cachichos nas pontas, com sorriso gostoso e cheirinho delicioso.
Ele lembra, com uma emoção enorme, daquele dia na torre... A vez em que abraçou com tanta força e aliviou o choro daquela que é não é irmã de sangue dele, mas que ele considera muito chegada e quase como uma irmã por opção mesmo.
Ele conta as histórias com um quê de realismo fantástico do avô que já quase matou patrão com a peixeira e por aí vai...

Lembra e compartilha com você esses momentos vividos num quintal mágico e cheio de fantasias mas, ao mesmo tempo, muito sério e sincero, sentido e real... Um quintal que hoje já não mais abriga os sonhos e tantas coisas bonitas do passado, mas que ele ainda acredita que será um palco para as outras mil gerações. Você já se sente parte dele, literalmente. Ele conta para você os detalhes da trajetória confusa e complexa que seguiu até hoje e que, inevitavelmente, você começa a admirar e tentar entender, mesmo que seja muito, mas muito difícil. Mas aí você lembra que entender é muito pequeno e que não vale a pena perder o encanto de certas coisas, mesmo que isso pareça fantasioso demais.

sábado, 7 de março de 2009

Simples assim... ou não?



***

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa...
(Lenine - "É o que me interessa")

***

há de se ter
um jeito
um meio
para
se criar
laços
bem dados
entre nós
entrelaçados...

***

PS: Outros olhares.
Lenine.
Palavras minhas:
soltas, sentidas, doidas, doídas.

terça-feira, 3 de março de 2009

Confissões - parte 3


De como nos conquistamos...

Eu, definitivamente, não queria me envolver. Nem com ele ou com qualquer outro alguém (pelo menos, não tão cedo). A história dele também não era lá das mais simples, afinal ele era muito intenso e emendava um relacionamento-tenso atrás do outro, ele tinha pressa, a pressa de quem quer amar e ser amado, mesmo que não dê certo. Minha história não era menos ou mais in-tensa que a dele, mas era tão bela e sentida-sincera quanto, nós éramos distintos, opostos, dispostos, tão-não iguais, não-tão diferentes e por aí vai, coisas da vida...

Eu era uma menina bobinha que nunca tinha namorado ninguém antes, mas não era por isso que eu não sabia o que era o amor, o que era olhar para alguém e sentir atração. Eu apenas não queria quebrar a cara, não naquela época, não com meu melhor amigo, não com ele. Mas as histórias dele me cativavam, o olhar bobo-belo e o par de esmeralda que ele tem como olhos me deixavam louca. Ele era mesmo um cara especial, cheio de segredos, cheio de charme (um quê irresistível de timidez misturado com sinceridade extrema: daquela que te faz tremer nas bases, verdade latente, pulsante e extrema, cara-a-cara, ou é ou não é).

Ele me conquistou lá. Lá naquela época. E eu o conquistei. O conquistei exatamente do jeito que sou. Somos um para o outro imperfeitos mesmo. Não queremos ser a princesa e o príncipe dos livros bonitos fantasiosos que existem... Queremos ser assim mesmo. Intensos, sinceros, duas crianças, dois adultos, duas pessoas que se amam, que se merecem e por aí vai.

Desde o primeiro encontro, muita coisa já mudou. Desde o primeiro beijo, tudo mudou. Eu não tenho mais medo de me entregar a ele, mas, admito, sinto borboletas no estômago sempre que ele chega depois de três dias de viagem em casa. Desde a primeira briga, muito aconteceu. Nós choramos, nós, discutimos, nós nos amamos, nos reconhecemos em meio a palavras ao pé do ouvido, nós nos entregamos de corpo, alma, unha e carne um ao outro. Desde a primeira noite juntos, desde o dia em que disse sim para ele, desde o dia em que nos entrelaçamos e nos amarramos definitivamente, tudo aconteceu. Hoje ele me conquista diariamente, não é um conto de fadas, sei disso. Não é o que pensei, não é o que sonhei... é mais, muito mais. Mais do que pedi, sonhei e almejei. Somos e estamos. E não basta... queremos e (nos) conquistaremos sempre mais.

***

E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta, Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta, E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida...
(Fernando Pessoa)

***

Na foto: Olhares. Ele bobo e eu babona, rs. No nosso dia, grande dia.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

De uma bela menina...


A Ana Beatriz que me abordou ontem não era loirinha com cachos e nem tinha os olhos esverdeados, a Ana Beatriz que, praticamente, pulou no meu colo e me assustou com sua voz alta, é uma menininha linda de quatro anos, muita curiosidade, muita inteligência e dona de lindos cabelos lisos e ruivos.
A Ana Beatriz queria saber quem eu era, qual era o meu nome, quem estava no carro me esperando, ela "já sabia" que eu queria ter uma filha com o mesmo nome que o dela, ela queria saber para que raios funcionava aquele crachá no meu pescoço e, quando escutou que era para trabalhar, ela quis porque quis saber o que eu fazia nessa minha vida. A resposta escancarou um sorrisão e a pergunta a seguir também.
"Você sabe o que é ou faz um jornalista, Ana Beatriz?"
"Claaaaro que eu sei, então na novela... a... a... a... 'A Favorita' tinha um, é igual o Zé Bob."
Não quis destruir os sonhos da menina tão cedo e sorri, falei que era isso mesmo.
Ana Beatriz, espalhafatosa que estava na hora, quase derrubou toda a vitrine de óculos atrás dela, estava tão empolgada comigo: a estranha (des)conhecida.
A Ana Beatriz que alegrou o restinho do meu dia só ficou comigo durante quatro minutos, mas aí teve que ir correndo de volta para os braços do pai (que estava trabalhando ao lado). Ela sorriu, me deu tchau e correu.
Pensar que quando for a minha Ana Beatriz daqui a alguns anos... vou ter mil-e-um motivos pra sorrir diariamente.

PS: Texto escrito no dia 22/01/09!
PSII: Instinto materno em ação? Essa noite sonhei com uma menina linda, de olhos clarinhos e gostosa... Ana Beatriz? Daqui a alguns anos... ou não?
PSIII: Ah, a menina da foto é a Manuella, sobrinha linda abraçando o tio TiagoGordoBabão... :)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ruas que se cruzam, vidas que se encontram...

E foi naquele instante que tudo mudou...

No cruzamento de uma rua e uma avenida qualquer, um esbarrão mudou o rumo de duas vidas.
- "Desculpa, foi sem querer... hã, perdão..."
- "Tudo bem, tudo bem. Era só o trabalho de uma semana inteira de madrugadas sem dormir.
Imagine, vai ser fácil, super fácil fazer tudo isso de novo. Meu Deus!"
- "É, desculpa moça. Eu, eu... é... não sei nem o quê dizer"
- "Calma, moço. Fique tranquilo, você só acaba de destruir minha vida e meu dia, nada que eu não resolva na próxima semana"
E foi depois dessa 'educada' frase que eles se ergueram e seus olhos se viram pela primeira vez. Mas, na verdade, não parecia a primeira. Ela já conhecia aquele olhar triste de algum lugar (quem sabe dos sonhos) e ele já tinha visto um olhar desconcertante igual ao dela.
Sorriram.
- "Qual é o seu nome?".
Ambos perguntaram. Mais sorrisos.
- "Sofia"
- "Pedro"
Eles não sabiam mas, de alguma forma, a vida deles jamais seria a mesma.
O semáforo parecia não abrir nunca e, pela primeira vez, isso foi uma glória. Aqueles foram os minutos mais felizes que os dois tiveram nos últimos anos (quiçá os minutos mais belos da vida inteira).
Os olhares eram tão intensos, as palavras eram tão puras e o aperto de mão de "adeus, foi um prazer" foi o mais sentido possível.
A rotina se repetiu durante vários meses (agora, sem esbarrões) e eles sempre faziam questão de se encontrar no mesmo cruzamento (menos às quartas, folga de Pedro). Valorizavam aqueles minutos do semáforo como nunca.
Até que um dia (e que belo dia) ele a convidou para sair. Nem Sofia sabe ao certo como isso aconteceu, mas a resposta foi imediata. "Sim". Parecia até que ela esperava por esse momento há séculos.
O primeiro encontro foi simples. Um cinema. No filme, uma frase que ficaria no pensamento dela para sempre. "Nunca houve corações tão abertos, gostos tão parecidos, sentimentos tão afinados...".
Depois dessa noite, a vida deles estaria ligada de uma forma mais intensa. Como um pacto. Um do lado do outro. Pra tudo. Sempre e pra sempre.
E os encontros no semáforo nunca acabaram, só que agora eles iam juntos até lá e tinham o mesmo destino.
Afinal, Sofia e Pedro sempre se pertenceram. Só não sabiam disso.

PS: Hello, stranger! ;)

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Da minha origem...

O Rio de Janeiro, dizem, continua lindo, contudo, para mim, ele nem está tão mais lindo assim. Mas é nessa terra quente que as pessoas mais lindas do (meu) mundo se encontram. Cada um com seu jeito e papel de importância na minha vida, doce vida.
Os lindos desse meu mundo não estão na mesma casa ou no mesmo bairro, mas estão eternamente guardados dentro do meu coração...

A viagem começou cedo, bem cedo. Minha cara amassada, meu travesseiro com fronha com detalhes que parecem um jornal, meu cabelo bagunçado e amarrado e meu bom-mau humor matutino habitual denunciavam. Ainda estava escuro, o sol não havia nascido, mas eu até diria, se isso não soasse tão pateticamente alegre, que meu olhar brilhante e esperançoso seria capaz de iluminar um caminho todo.
Parada ali, parada aqui, pão de queijo e toddy, meu estômago nunca foi lá muito fresco, mas não é bom abusar. Volto para o carro e deito, me cubro com meu lençol gigantesco e durmo. Sonho com aquilo que já aconteceu, que não aconteceu e que ainda aconteceria e me deixaria com a impressão de que 'já havia vivido isso antes'.

Algumas horas depois, acordo com buzinas de ônibus, céu cinza e chuva. "Mas, oras, já voltamos para Sampa, terra da garoa?" - penso. Olho com atenção, observo as cores dos ônibus, as pessoas com regatas e havaianas e realizo que não, não estamos em São Paulo e sim só numa parte diferente do Rio de Janeiro, longe de Ipanema e de suas loiras com curvas belas, num dia atípico de chuva, mas, ainda assim, muito calor.
Vejo onde nasci, ligo para meu menino-amor que está em casa me esperando com saudade já, conto que tenho a nítida sensação de já ter passado ali antes e sou interrompida pela frase: "Sarinha, minha filha, você nasceu por aqui". Talvez eu conhecesse aquele lugar mesmo. Dos meus sonhos, do útero, das lembranças que nem eu sabia que tinha ainda. Minutinhos depois chegamos em uma das muitas casas que nos serviriam de ponto de encontro, cenário para histórias e lembranças mil.

Hora do almoço, hora de comer arroz, purê, carne assada e salada... Ah, a salada. Chicória, tomate e cebola nunca foram tão gostosos juntos, talvez o segredo seja o tempero da Vó Thereza: água com sal e limão, depois alho amassado, depois azeite e, quem sabe, mais um pouquinho de limão... por que não?
Depois do banquete regado a suco de maracujá, coca-cola e rivalidade entre Flamengo e Vasco, é hora de partir, re-conhecer outras histórias e pessoas, queridas pessoas.

Avenida grande e fácil de se perder, o ponto de referência é a praça. "Ah, aquela que passamos há dez minutos atrás???". Que coisa! Onde será que estaria o retorno mesmo? Depois de uma volta pela praça, pela avenida e pelo trânsito do Rio e de alguns motoristas nem sempre muito bons, nos deparamos com mãos acenando para nosso carro: chegamos!
Reconheço a casinha meio amarela na esquina e lembro das férias que passei lá, dos primos, dos tios, da piscina de plástico, das flores, do quintal, do cheiro e de tantas outras coisas. Aquela casa continuava lá, mas era em outra que eu passaria a tarde. Quase do lado da casa amarela, estava a casa "71-fundos" e foi lá que aconteceu um dos encontros mais emocionantes dessa minha trajetória carioca.

Tia, primas, tios e a minha linda índia... Vó Mara. Há tanto tempo que não a via, abraçava, sentia, cheirava e dizia bem no ouvido dela que eu a amava e que não importava o quão longe eu estivesse, o sentimento seria eterno.
Os cabelos da Dona Amara continuam pretos, bem pretos, fortes e lisos. Os 78 anos vida, seis derrames, oito filhos, incontáveis netos e bisnetos e tantos percalços dessa vida a deixaram um pouco mais magra, um tantinho mais cansada, menos sorridente, mas muito atenta a tudo e todos. É emocionante ver como ela lembra de nós, mesmo que não consiga expressar isso com muitas palavras, o olhar dela diz tudo e as lágrimas que rolam por aquela face bonita e sentida simbolizam tudo o que é ser família.

As mãos fortes dela me impressionam, as mesmas mãos que me davam pirão quando eu era pequena, os dedos longos me fazem lembrar de como ela era quando eu e ela éramos mais novas e não havia a distância física entre nós.
Me despeço com lágrimas nos olhos e voz embargada, quase não tirei foto, tal momento não conseguiria ser melhor registrado do que pelo meu próprio coração.

As ruas de Bento Ribeiro abrigam crianças na calçada, pipas no céu e muitos sonhos. Um pedido: Deus abençoe a minha família. Seguimos pelas ruas e quebra-molas do Rio e vamos nos perder em outros braços e lembrar dos laços criados. De sangue, de afeto, de amor, de coração. Isaac, Daniel, Rebeca, Talita, Ana, Lucas e eu. Tantas gerações unidas numa tarde simples de calor.
Depois de lanches, risadas, abraços, fotos, comprinhas básicas, chegou a hora de ir embora...
"Entregamos" todas as crianças nos devidos lares e compartilhamos mais histórias, mais coisinhas pequenas e singelas que fazem toda a diferença...

PS: Dia especial, feliz e muitíssimo belo!
PSII: Sr. André Martin, muito obrigada pelos comentários e, pode deixar, estou de volta! ;)

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Confissões - parte 2



Opostos...
Dispostos (até o fim)...


Amar não é só um conto de fadas, cheios de coisas boas, quase como um filme bonito onde o mocinho nunca é o vilão e a mocinha nunca age feito a megera da história. Não é, não. Amar é conviver com os altos e baixos da vida, é lembrar que coisas pequenas podem virar uma bola de neve.
A menina da história aqui soube reconhecer isso nos primeiros meses de relacionamento com aquele moço bonito (aquele dos olhos verdes, aquele que coloriu um mundo cinza). Em primeiro lugar, as diferenças eram tão grandes que eles quase se encaixavam na máxima que afirma "os opostos se atraem", mas eles preferiram se enquadrar na bonita frase "os dispostos se atraem". E aí é que está o segredo. Disposição.
É preciso estar disposto pra encarar as realidades da vida a dois. Os pequenos detalhes, as coisas mínimas que para um significam o mundo e que para outro são coisas mínimas e desimportantes mesmo. É preciso entender que há dias para salto alto, dias para chinelo havaianas, dias para pés descalços, dias de festas, dias de simplicidade e que, vez em quando, um quer uma coisa e outro quer outrav (que, quase sempre, é exatamente o oposto extremo).
É preciso saber a hora de engolir o choro e os berros, mas é preciso saber o tempo certo de extravazar, gritar e, até mesmo, discutir, não é? É.
Até hoje, a menina da história aqui lembra bem de cada vírgula de cada conversa bo(b)a e séria que teve junto com aquele que é e será seu par. Hoje eles já lembram que a vida que eles escolheram viver juntos não será um mundo cor de rosa, e sim algo como uma montanha russa de sentimentos, verdades e emoções...
É preciso isso e mais um tanto de coisas que a menina da história ainda não sabe. Mas são coisas reais, de uma vida real com um quê de "conto de fadas" ou, apenas, um quê de poesia e amor, que ela compartilhará (eternamente) com o seu menino...

(Continua... ainda...)

***

"Os opostos se distraem...
Os dispostos se atraem..."

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Confissões


Mais uma versão do encontro

Era noite. E já era bem tarde. Depois de um cinema, as conversas deram espaço a sorrisos, risadas, olhares e confissões. Dois seres humanos pateticamente sozinhos, bom amigos e grandes companheiros perceberam que, enfim, o que todos diziam poderiam sim ter um tanto de verdade. Mas quem daria o primeiro passo? Ele já havia declarado há tempos: não sabia tomar iniciativa. Ela nem sabia como começar algo assim. Era bom, então, as coisas acontecerem naturalmente. Clichê básico e extremo. Mas era assim que tinha que ser. E foi.

Depois de três horas ou mais de "blá, blá, blá", mãos entrelaçadas, olhares que se perdiam e se (re)encontravam a todo instante, sorrisos bobos (antes bobos e sem-graça, naquele momento bobos e apaixonados), a frase, enfim, saiu. Ele já não queria ser assim-assim apenas amigo, queria mais. Ela tinha medo, triste que era, tinha medo de sair da comodidade de sua solidão e investir em algo novo, que sim poderia ser bonito, mas ainda era novo e ela teme novidades...

Depois do tal pedido (que nem foi tão direto e sim algo mais ou menos assim: "se eu te pedir pra namorar comigo?"), ela pede um tempo. Pra pensar, pra rever conceitos, pra perder o medo, pra (re)pensar, pra ter certeza. Ele diz que espera por ela o tempo que for preciso. Daí já é possível imaginar. Mas, para aqueles que ainda não dão espaço aos sonhos, eu explico: uma semana depois, ela diz sim. Sim para o amor que cresceria, sim para as alegrias que compartilhariam, sim para a vida que ela sempre sonhou ter e que não pensava conseguir tão cedo, sim para as tristezas e vitórias do caminho que juntos trilhariam...

Dois anos depois, dois dias dos namorados juntos, dois aniversários dele, dois dela, um cachorrinho que já é quase um filhinho, planos que não são mais dele ou dela e sim dos dois juntinhos, idéias que os fazem perder o chão, abraços arrebatadores e beijos que selam um só amor, eles se preparam para tomar um passo maior...

(Continua...)

PS: Porque ele me faz bem, tão bem...

***

"Eu encontrei quando não quis mais procurar o meu amor..."

***

Originalmente postado aqui...