sábado, 23 de fevereiro de 2013

Sampa e suas cores em mim

Stress. Foi isso que o médico disse na consulta. Dor de cabeça insuportável, imaginei que fosse o óculos, mas não era. E aí todos os sinais eram de stress puro: emagrecimento rápido, noites insones, cabeça doendo todo dia... Foi aí que eu tive a ideia de me levar para passear toda semana. Dei o nome para esses passeios: "sábados sabáticos". São Paulo é incrível, cheia de lugares para descobrir, relembrar, se apaixonar, se encantar... e meus sábados seriam reservados para todos os lugares que me fazem amar essa cidade.

Para o primeiro sábado sabático escolhi um lugar que visitei muito durante a faculdade, principalmente na época do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso): Centro Cultural São Paulo. Eu não queria participar de nenhuma das programações do dia, só queria sentar no Jardim Suspenso e ler meu livro "Alice no País das Maravilhas". Olhar a cidade de cima, sentada num banquinho simples me trouxe paz em meio ao caos e coloriu um pouco a minha selva de pedra. Fico muito triste que o Jardim não seja mais bonito e cuidado, mas mesmo assim vale a visita!
Vista do Jardim Suspenso (CCSP)
A Biblioteca e Gibiteca são incríveis e sempre tem alguma exposição pelo Centro Cultural. No meio do caminho, você pode encontrar uma almofada, deitar e se sentir parte da obra de arte, com sons de pássaros e cachoeira como trilha sonora ao fundo. Fui trabalhar até mais feliz depois de um passeio tão simples, que só meu custou a passagem do metrô e que me fez ver que a ideia dos sábados de descanso foi algo ótimo :)

Hoje foi o segundo dia que me levei pra passear, só que dessa vez minha irmã foi junto comigo. Não começamos muito cedo, afinal dormir também é bom e prazeroso. Nossa programação foi simples, mas divertida, principalmente pela companhia uma da outra. Viajar dentro da própria cidade é bom, poder compartilhar isso com quem você ama é ainda melhor. Nos encontramos no metrô Santa Cecília, descemos na Sé e saímos sentido Rua Direita. Antes de ir para o destino escolhido: passamos para turistar na catedral da Sé e observar um pouco a cidade. A primeira parada foi o Páteo do Colégio, onde nossa cidade começou em 1554. Foi nesse lugar que o Padre Anchieta iniciou a catequização dos índios. Já tinha passado várias vezes por lá e nunca havia entrado pra comer no Café do Páteo, que foi o local escolhido para nosso café da manhã gostoso. Chocolate para ela e café mocca para mim, pão na chapa para as duas. Não tem como errar com combinações tão simples. 

Andar pelo centro histórico é um das melhores coisas para se apaixonar por São Paulo. Olhe para os lados, para cima, para as construções dessa parte da cidade, vale a pena. O segundo destino foi o Centro Cultural Banco do Brasil, minha irmã nunca tinha ido e eu tinha ido apenas uma vez. Não há nenhuma exposição no momento, mas não é desculpa para deixar de conhecer o lindo e bem iluminado prédio, que foi construído em 1901 e abrigou a primeira sede própria do Banco na capital de São Paulo desde 1927. O Centro Cultural foi inaugurado em 2001 e tem uma rica programação de teatro, cinema e arte.

Duas irmãs perambulando juntas não dá muito certo, claro que depois de todas essas coisas bonitas, a Ana me arrastou pra gastar. Passamos na Daiso Japan, uma loja "de 1,99" conhecida no Japão e que abriu há pouco tempo no Brasil. Todos os produtos estão a venda por R$ 5,99 e tem coisa que vale a pena, mas nem tudo. Resistimos a tentação (e decidimos que a fome era maior a vontade de carregar sacolas era menor) e deixamos as compras na loja para outro dia. E já que é pra gastar, a gente leva a mãe junto pras compras renderem bastante ;)

Finalizamos nossa manhã/tarde juntas num restaurante árabe-armênio por quilo: Sevan. A fome estava muito maior do que qualquer outra coisa, então sem tempo para fotos, mas a comida estava gostosa e o preço é honesto. Falando em preço, gastamos: 60 reais (já incluindo as passagens do metrô). Ou seja, com uma média de 30 reais por pessoa, você consegue andar um pouco pela cidade, conhecer lugares bonitos que na correria diária você sequer pensa em reparar. E nem pense em achar caro, você deve gastar quase isso só numa ida ao MC Donald's!

E a partir de hoje também vou escrever nesse blog com minha irmã: http://www.gravidade.tumblr.com Mais um lugar pra usar as palavras como terapia. Resumos dos sábados sabáticos estarão sempre por lá, assim como outras coisas que conhecemos pelo nosso pequeno mundo e que podemos dividir com todos :)

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Só por hoje ou Dos 6 meses

"Minha mãe disse e depois li em algum livro: 
Toda vez que quis algo com afinco, o que eu tanto queria não surgiu. Mas quando relaxei, ela veio como uma bandeja nas minhas mãos. A questão é: pra vivermos a plenitude de certas coisas, precisamos relaxar e parar a procura alucinante. Aparecerá quando menos esperamos.

Não estou dizendo que devemos parar de lutar pelo o que queremos, que não devemos confiar no nossa intuição quando sentimos que algo está fora de controle, mas a verdade é que não adianta perder o sono por isso, não adianta perder a fome por isso. E, pra quem me conhece, sabe que perder a fome é algo realmente muito grave. Eu não posso mandar no dia de amanhã, mas hoje sei que nunca mais ninguém e nada vai me fazer perder a minha linda fome e o prazer de comer bem.

De todas as lições que aprendi e estou aprendendo nos últimos meses, as mais importantes são que eu não posso controlar o tempo, não posso controlar o que as pessoas fazem por mim ou contra mim, não posso viver uma vida esperando que uma verdade (que eu tanto quero ouvir e ver) aconteça. É letra de pagode, mas pode ser adaptado pra lema de vida: "deixa acontecer naturalmente".

(Arte: http://ecomh.com.br/)


***


"Esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,
prossigo para o alvo..."
Filipenses 3:13-14

sábado, 2 de fevereiro de 2013

De tudo que poderia...

amar
apagar
acabar
recomeçar

inspirar
transpirar
sonhar
acordar

caminhar
abandonar
relembrar

ser

traduzir
saber

apaixonar

lembrar
amar


[você?]

***



"Tem espaço de sobra no meu coração.
Eu vou levar sua bagagem e o que mais estiver à mão."

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Da arte de esquecer

Sou feita de esquecimentos, deve ser por isso que eu preciso dizer eu te amo todo dia. Sou feita de falta de memória, minha infância e adolescência são fragmentadas dentro de mim. Não lembro muito, sempre me sinto perdida nas conversas entre irmãos e primos.
Lembro de pequenos gestos, de algumas cores, de poucas pessoas e lugares.

Lembro de um moletom rosa que eu tinha e que eu estava vestida com ele quando saí com meu meu pai uma vez, eu devia ter uns cinco anos, nós estávamos passando em frente ao Corpo de Bombeiros da Praça da Sé, eu não lembro para onde íamos e de onde saímos, mas eu lembro do sorriso dele pra mim depois de eu ter falado alguma coisa boba. Deve ser por isso que eu gosto de sorrisos.

Eu sou feita de fragmentos de dias ruins. E por mais que eles tentem, nunca me dominam. Minha mãe estava com câncer, operou e quando chegou da cirurgia, estava dizendo meu nome. O enfermeiro contou que na hora que ela acordou da anestesia, ela acordou e me chamou. Já no quarto, cansada, chorou um pouco e dormiu enquanto eu cantava pra ela. Desde então, eu sempre canto quando estou triste. E a tristeza passa.

Eu sou feita das histórias que me contam. Meus três irmãos me contam as peripécias que aprontávamos e eu lembro de pouca coisa, junto o que cada um, com sua diferente visão me conta e crio minha própria lembrança. Talvez seja por isso que eu gosto de ouvir todos os lados de uma mesma história, só assim eu consigo  criar a minha.

Eu sou feita de dedos longos, braços compridos e tortos (sim, meu braço é torto, bem esquisito), sou feita de abraços. Lembro do dia que conheci meu marido, mas não lembro do dia que ele me deu o primeiro abraço, só sei que são nos braços dele que eu quase sempre fico bem, apesar de tudo. Deve ser por isso que eu acho um abraço muito mais íntimo que um beijo.

Eu sou feita de esquecer. Diariamente vivo coisas pela primeira vez. Deve ser por isso que eu preciso ouvir eu te amo todo dia.


***

Tenho amor, não tenho memória.
(Fabrício Carpinejar)

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Dos possíveis caminhos...

Quando a gente anda sempre em frente, não pode mesmo ir longe...
(Antoine de Saint-Exupéry: "O Pequeno Príncipe")

Incrível. Todo esse tempo eu estava pensando em "seguir em frente e ser feliz", mas esqueci do mais importante. Esqueci que nessa vida nunca tive um caminho reto e exatamente por conta disso, aprendi tanto. Foram os altos e baixos das trilhas que me fizeram ser quem sou. E mesmo que nem sempre feliz, sempre fui aprendiz e quem assume que está aprendendo, assume, também, que pode e deve errar, que pode e deve descansar, que pode e deve acreditar em dias melhores, que pode e deve aprender com tudo e com todos, mesmo aqueles que, na teoria, você deveria querer longe.


O legal de ser aprendiz é ver que se você errou o caminho, se virou a direita e viu que não era lá que gostaria de estar, pode voltar atrás e seguir em frente ou para a esquerda, pode ficar parado e observar por um tempo. A parte chata de ser aprendiz é que na vida nem tudo dá pra ser resolvido com um simples retorno e, às vezes, são essas coisas que (re)definirão todo o caminho e companhia que teremos pela frente.


Minha vida foi e está sendo redefinida por tantos caminhos que escolhi. Alguns fazem eu ter muito orgulho da mulher que me tornei, outros fazem eu pensar que poderia ter sido melhor, outros, ainda, fazem eu sentir saudade de todas as coisas boas que já vivi e ter vontade de me inspirar sempre mais, para poder viver sempre mais. Minha vida foi e está sendo redefinida diariamente, também, por todas as escolhas que as pessoas próximas a mim fizeram. E essa é grande sacada final: os caminhos que trilhamos sempre nos mudam, sempre mudam o mundo a nossa volta. Afinal, "toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar".



***

sábado, 19 de janeiro de 2013

Here comes the sun

O sorriso volta para o rosto quando o sol nasce e brilha. 
O sorriso estava congelado, mas agora volta mais bonito, seguro e brilhante, como o sol.
E se chover de novo?
Lembra que depois da tempestade vem a bonança, lembra que a chuva destrói, mas também acalma, também tem sua beleza cinza, lembra que quando anoitecer a lua vai iluminar os caminhos, lembra que o sol sempre volta a brilhar.



***


"Here comes the sun
And I say
It's all right
Little darling
It's been a long cold lonely winter
Little darling
It feels like years since it's been here..."

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Voando mais alto

Eu acredito que a gente, às vezes, precisa de um 'empurrão' pra mudar as coisas. E o maior empurrão coletivo que tem é a virada de ano. (Nádia Lapaa mulher que faz os melhores cupcakes do mundo).

No ano que passou, tive vários empurrões pra mudar de vida. O primeiro aconteceu no dia 20 de agosto, nesse dia percebi que não adianta a gente só tentar fazer os outros felizes, a gente tem que buscar a própria felicidade. Pode parecer exagero, mas todas as minhas lágrimas cessaram nesse dia, a dor emocional virou física. Mas passou.

O segundo empurrão não demorou muito. Aconteceu na viagem para Nova Iorque, pouco menos de um mês depois. Lembrei que tem um mundo inteiro de cores, lugares, sabores e pessoas pra eu conhecer, experimentar e desvendar.

Assim que voltei da cidade que não pára, recebi o terceiro. Esse, admito, doeu um pouco mais que o primeiro. Porque foi com ele que percebi que não importa o quanto você se esforce e se importe, algumas pessoas simplesmente não cortam laços desnecessários e que a maior interessada na minha melhora era apenas eu.

O último empurrão do ano aconteceu na virada, foi o tal empurrão coletivo. Ao ler tantas retrospectivas bacanas, de gente que eu conheço virtual e pessoalmente, vi que quem tem história pra contar é que é mais feliz. Por mais que pareça ter sido o pior ano da sua vida, alguma lição é sempre possível aprender. E eu aprendi tanto, que seria ingrata em dizer o contrário. Comecei o ano da forma mais introspectiva possível, com a família, pés descalços, conversando comigo mesma e com DEUS.

Duas semanas de 2013 já se passaram, as mudanças continuam acontecendo e dessa vez não só estou vendo as coisas e pessoas passarem por mim. O quinto e principal empurrão quase me jogou ladeira abaixo no primeiro momento, mas lembrei que consertar as asas pra aprender a voar dói, mas que tenho pessoas especiais que me amam e que me darão beijos e abraços diários (alguns em formas de palavras e músicas) para que esse seja o melhor tempo da minha vida. Cortei todos os laços (virtuais, inclusive) que estavam me levando pra baixo, cortei até os que, infantilmente, havia começado. Nenhuma dor emocional mais vai virar física. Ninguém vai mais me fazer achar que eu não mereço as coisas boas que a vida tem pra me reservar. Ninguém vai tirar meu sorriso largo. 

Vida, agora vamos voar mais alto.

Estou exatamente onde deveria estar...


"Take these broken wings and learn to fly
All your life

You were only waiting for this moment to arise..."