sexta-feira, 13 de março de 2009

Dos pequenos atos...

O sonho dela sempre foi ter o tal buldogue, aquele que ela daria o nome Rocco ou, se fosse uma 'menina', ela daria o nome de Nikita. Mas Rocco era mesmo o cachorro dos seus sonhos.
Por motivos simples e outros complicados, ela nunca pôde ter aquele sonho realizado, mas o seu garoto (aquele que vocês já conhecem, aquele dos olhos verdes lindos e presença constante nos sonhos, frases e embalos da garota) não a deixaria se decepcionar, ele nunca a deixava na mão. E por mais que ele não fosse lá o fã número um da idéia de ter o tal buldogue, ele daria um jeito de fazê-la sorrir.
E foi numa noite fria que ele fez uma surpresa para sua menina, dentro de uma sacola de papel no banco da frente, ele colocou um pequeno ser (daqueles que conseguem arrancar suspiros de quem o vê), lógico que, desastrada do jeito que era, a menina quase sentou em cima do pacote e não viu que lá dentro estava uma das coisas mais pequenas desse mundo. Lá estava o Billy, não, não era o sonhado buldogue, mas era o filhote que eles adotaram como filho, um lhasa com seus pêlos fofos e claros e que, eventualmente, os deixa loucos com a bagunça que faz.
Depois de um tempinho (que ela não sabe precisar quanto), numa outra noite fria, noite essa que o seu amor foi se perder entre coisas antigas e velhas que estavam amontoados no armário dele, ela recebe outra surpresa. Um bichinho de pelúcia lindo, mas não daqueles que são comprados às pressas na lojinha de esquina perto do shopping, sabe?
E sim um que cresceu com ele, que tinha o cheiro das coisas gostosas de infância, que tinha cheiro de infância feliz e sentida. Naquela noite, ele não só arrancou um sorriso e um suspiro de sua garota, mas arrancou um beijo, um 'muito obrigada', um abraço e deu para ela, de uma forma bem mais bonita que ela pensava, o tão sonhado Rocco.

***

"Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor"

***

PS: Sem muito tempo para atualizar. Sem muito tempo para palavras longas, infelizmente...
Por isso, resolvi tentar o tal twitter, lá posso voltar a escrever linhas curtas e poucas, mas muito, muito sinceras... talvez como os meus antigos posts curtos e direto, sintéticos e profundos, lembra Sr. André Martin?

terça-feira, 10 de março de 2009

Do amor incondicional



Ainda que não existisse mais nada nesse mundo, haveria o Amor. E mesmo se tudo existisse e por mais importante que esse 'tudo' fosse, de nada valeria se não existisse o Amor. E é nesse Amor que eu creio, é para esse Amor que eu vivo, foi esse Amor que me escolheu muito antes de eu o escolher. Um Amor puro. Bonito. Singelo. Um Amor que luta por mim. Que sorri para mim. Que pula de alegria porque eu existo, que dança comigo, que me ensina mesmo quando eu não quero, que me levanta do chão quando eu, pela milésima vez, erro e bato cabeça na parede. Esse Amor é tão profundo que nada nesse ou em qualquer outro mundo se compara. Nada é mais importante daquilo que o Amor sente por mim. E eu amo esse Amor. Eu quero. Anseio. Necessito. Sempre e sempre mais.
Esse Amor me acalma durante a tempestade, me alegra na dificuldade, me embala no colo como um pai amoroso e eu, filha teimosa e por vezes ingrata, tendo a achar que não mereço o Amor. Mas o Amor me lembra que eu existo porque Ele quer, que Ele me mantém aqui porque tem planos maiores e melhores para mim. E não adianta explicar o milagre do Amor. Porque, como dizem, 'milagre não se explica, se vive'. E eu vivo um milagre novo diariamente. Eu tenho esse Amor do meu lado para a eternidade. E eu sei que o Amor é de verdade.

"Deus é amor"
(I João 4:8)

Escrito no dia 16/05/2008

sábado, 7 de março de 2009

Simples assim... ou não?



***

Daqui desse momento
Do meu olhar pra fora
O mundo é só miragem
A sombra do futuro
A sobra do passado
Assombram a paisagem
Quem vai virar o jogo e transformar a perda
Em nossa recompensa
Quando eu olhar pro lado
Eu quero estar cercado só de quem me interessa...
(Lenine - "É o que me interessa")

***

há de se ter
um jeito
um meio
para
se criar
laços
bem dados
entre nós
entrelaçados...

***

PS: Outros olhares.
Lenine.
Palavras minhas:
soltas, sentidas, doidas, doídas.

terça-feira, 3 de março de 2009

Confissões - parte 3


De como nos conquistamos...

Eu, definitivamente, não queria me envolver. Nem com ele ou com qualquer outro alguém (pelo menos, não tão cedo). A história dele também não era lá das mais simples, afinal ele era muito intenso e emendava um relacionamento-tenso atrás do outro, ele tinha pressa, a pressa de quem quer amar e ser amado, mesmo que não dê certo. Minha história não era menos ou mais in-tensa que a dele, mas era tão bela e sentida-sincera quanto, nós éramos distintos, opostos, dispostos, tão-não iguais, não-tão diferentes e por aí vai, coisas da vida...

Eu era uma menina bobinha que nunca tinha namorado ninguém antes, mas não era por isso que eu não sabia o que era o amor, o que era olhar para alguém e sentir atração. Eu apenas não queria quebrar a cara, não naquela época, não com meu melhor amigo, não com ele. Mas as histórias dele me cativavam, o olhar bobo-belo e o par de esmeralda que ele tem como olhos me deixavam louca. Ele era mesmo um cara especial, cheio de segredos, cheio de charme (um quê irresistível de timidez misturado com sinceridade extrema: daquela que te faz tremer nas bases, verdade latente, pulsante e extrema, cara-a-cara, ou é ou não é).

Ele me conquistou lá. Lá naquela época. E eu o conquistei. O conquistei exatamente do jeito que sou. Somos um para o outro imperfeitos mesmo. Não queremos ser a princesa e o príncipe dos livros bonitos fantasiosos que existem... Queremos ser assim mesmo. Intensos, sinceros, duas crianças, dois adultos, duas pessoas que se amam, que se merecem e por aí vai.

Desde o primeiro encontro, muita coisa já mudou. Desde o primeiro beijo, tudo mudou. Eu não tenho mais medo de me entregar a ele, mas, admito, sinto borboletas no estômago sempre que ele chega depois de três dias de viagem em casa. Desde a primeira briga, muito aconteceu. Nós choramos, nós, discutimos, nós nos amamos, nos reconhecemos em meio a palavras ao pé do ouvido, nós nos entregamos de corpo, alma, unha e carne um ao outro. Desde a primeira noite juntos, desde o dia em que disse sim para ele, desde o dia em que nos entrelaçamos e nos amarramos definitivamente, tudo aconteceu. Hoje ele me conquista diariamente, não é um conto de fadas, sei disso. Não é o que pensei, não é o que sonhei... é mais, muito mais. Mais do que pedi, sonhei e almejei. Somos e estamos. E não basta... queremos e (nos) conquistaremos sempre mais.

***

E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta, Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta, E nada que se pareça com isto devia ser o sentido da vida...
(Fernando Pessoa)

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Na foto: Olhares. Ele bobo e eu babona, rs. No nosso dia, grande dia.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

(Relembrar é viver...)



A idéia veio da Liana Vidigal, professora, flamenguista, mãe do Arthur (que puxou o pai e é são-paulino), amiga e logo mais colega de profissão: "Uma dica: que tal contar para a gente as alegrias e percalços de uma 'quase-formada'"...

Pois sim, resolvi aceitar a dica. Afinal, os últimos meses foram muito agitados, estressantes, animados, alegres, cansativos e devem render uma boa história. O último ano foi bem melhor do que pensava e muito mais exaustivo também. No entanto, o saldo final é positivo e muito gratificante.

Nos primeiros meses de 2007, dois professores já nos esperavam na sala com a seguinte pergunta: "Qual a idéia para o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso)? Qual o grupo?". E a resposta da maioria era quase sempre a mesma: "Ah, tivemos uma idéia disso, daquilo. Mas nada certo, não sabemos ainda".
Pergunta difícil, resposta (quase) impossível.
Um dos professores era o já conhecido Fábio Cardoso, amigo desde o primeiro ano, mestre que me inspirou a querer ler e escrever sempre um pouco mais. Ele também foi aquele que acreditou na minha palavra quando um certo cara copiou um trabalho meu (mas essa é uma história para outro dia).
O outro professor era o desconhecido Chico Bicudo. Exemplo claro daqueles que conhecemos por ouvir falar, mas nunca ter de fato conversado. Para muitos, inclusive para o Profº Fábio, ele era "o" cara. E eu morria de vontade de ter aula com ele.
Pronto, ótima junção. Teria que aproveitar cada instante. E me esforçar para fazer um bom trabalho. Mas que trabalho? Ainda não tinha grupo, tema ou professor.

Numa certa manhã, eu e mais três pessoas completamente diferentes de mim (amigos de quatro longos anos, todavia com personalidades distintas) nos reunimos e resolvemos que escreveríamos um perfil, texto mais leve e ao mesmo tempo bem detalhado e apurado. Quem seria o perfilado? Cora Coralina, Dias Gomes ou Inezita Barroso? Fechamos com Inezita Barroso, até então para mim uma ilustre desconhecida. Decidimos, também, que o professor-orientador do TCC seria o Chico.

Muito aconteceu nos meses seguintes. Entrevistas, visitas ao Centro Cultural, à Biblioteca da Universidade Anhembi Morumbi, às gravações do "Viola, minha viola" no Teatro Franco Zampari. Não foi fácil, admito. Câmara Cascudo, Tom Wolfe, Joseph Mitchel, artigos e afins. Não que não tenha gostado, aliás amei cada palavra. No entanto, foi difícil conciliar tudo isso, todas informações, os receios e as tristezas do caminho.
Sem contar que eu e os outros integrantes do grupo tínhamos grandes diferenças que ao passar do tempo ficaram mais visíveis. Um escreve assim, outro assado, um é póetico, outro é direto. A amizade que existia entre nós, porém, se intensificou. Foi bom poder ter dividido com eles esses momentos.

Toda semana, nas orientações, apresentávamos algo novo. Novos entrevistados, novas idéias, novos medos e novas maneiras de sentir o que estava acontecendo. Contar com o apoio do Chico, orientador e amigo, foi essencial (mesmo quando, para descontrair, ele falava do Santos).
Hoje é bom ver trabalho finalizado, cheio de cores, de fotos, palavras, pensamentos e sentimentos. É bacana sentir que o texto "Frankstein" (escrito por oito mãos diferentes) ficou bem costurado e que o fim está próximo. E o fim? "É belo incerto, depende de como você vê".

Não sei ao certo o que o futuro me reserva, quais serão as próximas etapas e os novos obstáculos. O que sei é que saio de lá com a sensação de dever cumprido, apesar dos pesares e com o "pesar dos apesares".
Ainda não ouvimos o "aprovados", mas faltam algumas semanas ainda e espero que a palavra que vai sair da banca não seja outra.

Feliz por ter feito a escolha certa, por ter aproveitado os quatro anos de faculdade, mesmo que vez em quando sinta que poderia ter ido melhor. Feliz porque no trabalho tive a liberdade de escrever daquele meu jeito meio poético, cheio de detalhes. Por ter tirado muitas fotos e ver a maioria na matéria concluída. Feliz por ter conhecido Inezita Barroso, Assis Ângelo, Rivaldo Curulli, Pena Branca. Porque aprendi a respeitar a Cultura Brasileira de uma maneira bem mais profunda. Bem mais bonita. Mais sentida.
Feliz por ser feliz...

Originalmente postado no dia 05/11/2007
(Na época, como todos podem perceber, eu ainda era uma querida-sonhadora-aspirante-jornalista...)

***

Só pensando:
Não sei se é porque hoje foi um dia muito complicado no trabalho, mas resolvi (re)lembrar de como vim parar aqui, nessa vida doida de comunicação, de jornalistas, de produtores e inventores, de loucos e sábios; de gente que fez faculdade e acha que é melhor que o outro por causa disso, de pessoas que aprenderam na marra, na arte da vida, com a prática...
A vida é assim mesmo. Cheia de altos e baixos, hoje tenho que ser melhor e maior do que tudo que já fui e, sinceramente, às vezes parece que é mais difícil do que realmente é. Mas, deixe estar. Ainda há muito o que aprender, ainda há muito o que escrever, editar, revisar, fotografar, coordenar, pirar, surtar, analisar, brigar, gritar, admirar... e viver.

***

"TV é um cachaça brava, tem que gostar muito, muito, muito de fazer, porque não paga bem, não é gostoso e... bom, eu sou um cachaceiro... topa ser também?"
(Frase dita por um dos meus supervisores no meu primeiro dia de serviço, há exatamente três anos e oito meses)

***

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz..."
(Gonzaguinha)

***

PS: E sim. Meu TCC foi sobre Inezita e sua viola...
Ah, o Jornalismo Cultural. Paixão para sempre e até quando...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

No final, afinal. Há final?


Onde é que está a beleza
e a simplicidade?
Não quero mais versar
sobre o que é ou o que foi
Hoje não quero objetividade
Quero a subjetividade
e, talvez, a obscuridade
das coisas
O que será que será
de tudo isso
no final, afinal
Aliás...
Há final?

PS: "O fim é belo. Incerto. Depende... de como você vê. O novo. O credo. A fé que você deposita em você e só... só enquanto eu respirar vou me lembrar de você."

(F.Anitelli - Anjo Mais Velho - para meus dias ruins, bons, belos, feios, sentidos e sinceros... ao pé do ouvido, ao pé da letra, entrelinhas)

domingo, 22 de fevereiro de 2009

De uma bela menina...


A Ana Beatriz que me abordou ontem não era loirinha com cachos e nem tinha os olhos esverdeados, a Ana Beatriz que, praticamente, pulou no meu colo e me assustou com sua voz alta, é uma menininha linda de quatro anos, muita curiosidade, muita inteligência e dona de lindos cabelos lisos e ruivos.
A Ana Beatriz queria saber quem eu era, qual era o meu nome, quem estava no carro me esperando, ela "já sabia" que eu queria ter uma filha com o mesmo nome que o dela, ela queria saber para que raios funcionava aquele crachá no meu pescoço e, quando escutou que era para trabalhar, ela quis porque quis saber o que eu fazia nessa minha vida. A resposta escancarou um sorrisão e a pergunta a seguir também.
"Você sabe o que é ou faz um jornalista, Ana Beatriz?"
"Claaaaro que eu sei, então na novela... a... a... a... 'A Favorita' tinha um, é igual o Zé Bob."
Não quis destruir os sonhos da menina tão cedo e sorri, falei que era isso mesmo.
Ana Beatriz, espalhafatosa que estava na hora, quase derrubou toda a vitrine de óculos atrás dela, estava tão empolgada comigo: a estranha (des)conhecida.
A Ana Beatriz que alegrou o restinho do meu dia só ficou comigo durante quatro minutos, mas aí teve que ir correndo de volta para os braços do pai (que estava trabalhando ao lado). Ela sorriu, me deu tchau e correu.
Pensar que quando for a minha Ana Beatriz daqui a alguns anos... vou ter mil-e-um motivos pra sorrir diariamente.

PS: Texto escrito no dia 22/01/09!
PSII: Instinto materno em ação? Essa noite sonhei com uma menina linda, de olhos clarinhos e gostosa... Ana Beatriz? Daqui a alguns anos... ou não?
PSIII: Ah, a menina da foto é a Manuella, sobrinha linda abraçando o tio TiagoGordoBabão... :)