segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Antigo, e-terno eu.

"E se eu fosse o primeiro a voltar
pra mudar o que eu fiz,
quem então agora eu seria?"

"Lendo antigos cadernos descobri que antigamente não era somente eterna. Antigamente tinha mais sonhos, mais cores, mais desejos e anseios que hoje não fazem tanto sentido assim. Não que antigamente eu fosse melhor ou maior do que sou hoje. É que antigamente eu ia no Evolution do Playcenter sem o mínimo medo de cair, é que antes eu queria ser jogadora de futebol e pedi um uniforme do São Paulo aos 11 anos, é que há anos eu comia brigadeiro com kani, antes eu ia no cinema uma vez por semana e me enchia de mate, pão de queijo, milkshake de ovomaltine; é que antigamente eu tinha o privilégio de passar horas sem fim lendo vários livros ao mesmo tempo na Siciliano, é que antes, também, eu era apenas uma garota que queria algo.
Hoje eu continuo sendo eterna. Eu não tenho mais muitos sonhos. Tenho desejos realizados e sonhos que logo se tornarão realidade. Tenho cores ainda, mas hoje não são apenas cores frias e óbvias, são cores quentes e cheias de nuances. Hoje eu não vou mais no Evolution, tenho medo mesmo. Qual é a graça de ficar de ponta cabeça em um brinquedo que me dá a nítida sensação de que vou cair daquela cadeira que praticamente não me segura? Mas não fiquei tão careta assim. Hoje eu pulo do SkyCoaster e até puxo a cordinha, aprendi que não há nada melhor do que a sensação de que posso voar. Descobri que não corro o suficiente e que se eu antes acertava um golaço de cabeça ou cobrava um super escanteio, não era porque era boa jogadora, era sorte mesmo. Por isso continuo sendo tricolor, mas não quero mais ser a jogadora da seleção feminina de futebol. Hoje me contento em assistir no Morumbi ou em casa mesmo as partidas do verdadeiro timão aqui de São Paulo. Hoje eu não faço mais as misturas gastronômicas de outrora, mas isso não me faz desistir de enfrentar um prato de feijoada ou dobradinha em qualquer horário do dia ou da noite.
Já faz um bom tempo que não vou ao cinema e fico triste com isso, mas, ao mesmo tempo, isso quer dizer que não sou mais a menina de 16 anos que não trabalhava e não tinha muitas obrigações, hoje sou a (ainda) menina (um pouco mais madura) de 21 anos que trabalha muito e que aprende diariamente nessa profissão louca que escolheu. Hoje, infelizmente, eu não passo horas na Siciliano ou em qualquer outra biblioteca, mas levo na bagagem cada linha que li naqueles bons e velhos livros.
Numa contradição louca e maravilhosa da vida, hoje continuo sendo uma garota que quer algo. Mas não qualquer coisa. Eu quero um caminho bonito. Eu quero que pessoas especiais andem comigo nesse caminho bonito. Eu quero que esse caminho bonito com pessoas especiais seja minha vida. Eu quero minha vida mais simples e, ao mesmo tempo, incrivelmente maravilhosa. Por essas e outras é que não mudaria uma vírgula da minha história. Ela está só começando..."

***

Texto postado originalmente aqui.

Os comentários postados lá, me deixaram tão, tão feliz.

***

PS: Na época, eu tinha 21 anos e logo, logo completo 23 anos. É que o mundo dá voltas... e eu gosto disso!

3 comentários:

Bia disse...

Lindo.
Comovente.

Parabéns, Moça.

Juliana Barduchi disse...

ô Sarinha,
Viajei pra sua história nas suas palavras e relembrei muito da minha...
vc me fez chorar, e lembrar que devemos viver cada dia como se fosse o último, pq o tempo voa...
Bjss!!

Anônimo disse...

Oi Sara

Eu comentei esse texto lá no original... rsrs

(o "ventura sempre volta... ou nunca vai")

Hoje eu não faço um monte de coisas que fazia no passado, não sei se isso é bom ou ruim; mas essas coisas estão na nossa história e representam o que somos hoje, são fragmentos.

É bom olhar pra trás... e bom também andar olhando para frente.

Um abraço

"mas Eu quem será?"